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FARO
O Método

Como o FARO classifica o que vale automatizar

Faro para o que vale automatizar.

Um método que transforma a decisão de "o que automatizar" numa conta rastreável — cada número com origem, fonte e responsável. Fundamentado em frameworks consagrados do mercado, combinados num trilho único.

Para todos

Em uma frase

O FARO responde uma pergunta difícil — "de tudo que dá para automatizar, o que fazer primeiro?" — trocando opinião por uma nota justificada para cada caso, e usando essas notas para montar um plano de entrega em etapas. Quem é técnico e quem é de negócio enxergam, juntos, por que cada automação está na fila e quando será feita.

Para quem é de negócio

  1. Você dá as notas de valor. diz quanto cada automação compensa, com que frequência acontece e quão crítica é.
  2. Você enxerga a fila. o método mostra, de forma transparente, o que entrega mais oportunidade pelo esforço primeiro.
  3. Nada é "caixa-preta". toda nota tem origem e responsável — dá para perguntar "por quê?" em qualquer ponto.

Para quem é técnico

  1. Você dá os fatos técnicos. responde propriedades objetivas (idempotência, check mode, integrações…).
  2. A régua é a mesma para todo domínio. um "3" em rede custa o mesmo "3" em storage — comparável e reprodutível.
  3. O cálculo é determinístico. ICO, Quadrante e Bolha saem sozinhos das notas — sem achismo no final.

Não conhece um termo? Há um glossário em linguagem simples ao final. E, em cada quadro com , passe o mouse para ver a explicação.

01 · Origem

Por que o FARO existe

Toda lista de "o que automatizar" vira disputa de opinião: cada área acha o seu caso o mais importante e o arquiteto arbitra sem base. O FARO existe para acabar com o achismo — transforma a priorização numa conta em que cada nota tem fator, fonte e responsável.

Cada nota vira número numa régua única, igual para todos os domínios: um "3" em rede custa o mesmo "3" em storage (calibração cruzada). A decisão deixa de ser a opinião de um consultor e passa a ser a soma de práticas reconhecidas aplicadas com disciplina.

Uma composição original

Nenhum framework de mercado, isolado, resolve a classificação e priorização de automações ponta a ponta com uma régua cross-domínio. O FARO é a composição original dessas práticas — cada uma usada exatamente na parte onde tem autoridade (ver seção 06). O diferencial não é uma fórmula secreta: é a orquestração disciplinada de padrões reconhecidos numa régua reprodutível.

02 · Estrutura

Três momentos, nove passos

Mnemônico I·A·O. Cada passo tem objetivo, fundamento, RACI (quem responde), gate (critério para avançar) e onde vive na plataforma.

I
Rastrear

Inventariar

Descobrir e catalogar os casos de uso candidatos.

A
Medir

Avaliar

Classificar de forma defensável, por números de fonte confiável.

O
Decidir

Orquestrar

Priorizar, validar com o cliente e entregar o que vale.

I — Inventariar
1
Estratégia e Governança. Alinhar objetivos, patrocínio e governança (CoE/CoP) antes de classificar.
2
Descoberta de casos de uso. Levantar e catalogar candidatos (ID, domínio, descrição).
A — Avaliar
3
Coleta de fatos (RACI). Cada nota vem de quem tem competência — fato técnico ≠ fato de negócio.
4
Régua 1–5 por fatores objetivos. Converter fatos em nota consistente entre domínios, com âncoras de referência.
5
Índices derivados (automáticos). ICO, Quadrante e Tamanho da Bolha — nada digitado à mão.
O — Orquestrar
6
Priorização e Ondas. Ordem de entrega começando por quick wins, com faseamento de risco.
7
Validação com o cliente. O cliente confirma Valor e Criticidade (o Volume é derivado de hosts×frequência); os índices recalculam.
8
Conteúdo Red Hat-first. Collection oficial (certified→validated); community exige autorização do cliente.
9
Governança e Evidências. ADR (decisões), C4 (diagramas), DORA (desempenho), ITIL 4 (mudança).
03 · Como ler e como usar

Guia rápido do método

Duas leituras: como ler uma classificação pronta e como usar o método para produzir uma.

Como ler uma classificação

  1. Siga a cadeia. de cada nota, abra fator → âncora → fonte → quem respondeu. Se a cadeia fecha, a nota é defensável.
  2. Leia os três índices. ICO = risco de operar; Quadrante = estratégia; Bolha = oportunidade.
  3. Olhe o gráfico. mais à esquerda e mais alto = melhor (alto valor, baixa complexidade). Bolha grande = mais retorno pelo esforço.

Como usar (produzir uma)

  1. Cadastre o caso de uso no estado puro — ID, domínio, descrição, contexto técnico.
  2. Responda os fatores por competência fatos técnicos: especialista de domínio + arquiteto; notas de negócio: cliente.
  3. Deixe os índices calcularem ICO/Quadrante/Bolha saem sozinhos das notas.
  4. Valide e priorize o cliente confirma o negócio; o caso entra numa onda.
03b · Referência de cálculo

Como o Volume/Frequência é calculado

O Volume/Frequência não é perguntado ao cliente — é derivado do as-is (a descrição de como o processo é feito hoje). Assim o mesmo fato é capturado uma única vez e a nota sai sem achismo.

A fórmula, em quatro passos

  1. Do as-is dois campos: nº de hosts/alvos por execução e a frequência (quantidade × período).
  2. Anualizar a frequência multiplica pelo período: dia = 365, semana = 52, mês = 12, ano = 1.
  3. Volume bruto (X) X = hosts × frequência/ano — o total de execuções-alvo por ano.
  4. Faixa → nota 1–5 X é enquadrado na tabela ao lado; a nota entra na Bolha = (Valor × Volume × Criticidade) ÷ Complexidade.

Faixas (X → nota)

Execuções-alvo/ano (X)NotaLeitura
menos de 501esporádico
50 a 4992ocasional
500 a 1.9993semanal / dezenas
2.000 a 9.9994frequente
10.000 ou mais5diário / muitos alvos

Exemplo: 200 hosts, 1×/semana → 1 × 52 = 52/ano → X = 200 × 52 = 10.400 → faixa "10.000 ou mais" → Volume = 5.

Na tela Classificar, o card do Volume traz um "🧮 como é calculado" com estes números já aplicados ao caso de uso aberto — se um valor não fecha, ajuste os campos de hosts e frequência no as-is (botão “i” do caso de uso).

Passo a passo

Como aplicar — do primeiro caso ao roadmap

Um roteiro que qualquer pessoa da equipe consegue seguir. Cada passo diz o que fazer, quem faz (pela competência) e onde vive na plataforma.

#O que fazerQuem fazOnde na plataforma
1Descrever o caso — o que se quer automatizar em 1 frase + contexto técnico (equipamentos, software, versões)quem conhece a demandaCasos de uso → Criar
2Descobrir a documentação/collection oficial da tarefaespecialistaDoc-lookup
3Responder os fatos técnicos (fatores objetivos) → o sistema calcula Complexidade e Riscoespecialista + arquitetoClassificar
4Responder as notas de negócio — Valor e Criticidade (o Volume é derivado de hosts×frequência do as-is)cliente / dono do negócioClassificar
5Conferir os índices que se calculam sozinhos — ICO, Quadrante, BolhaautomáticoClassificar / Priorização
6Vincular o caso a um projeto (sai do backlog)lead / arquitetoCasos de uso → Vincular
7Organizar em ondas — começando pelos quick wins (read-only)lead / arquitetoProjetos → Ondas
8Entregar onda a onda, com aprovação (gate) entre elasequipe + clienteProjeto / Priorização
04 · O problema central

Números de fontes confiáveis, de forma transparente

Como classificar um caso de uso por números, obtidos de fontes confiáveis, de forma clara e auditável — sem nada "digitado à mão" no final. A resposta é uma cadeia rastreável por fator (passe o mouse no de cada quadro):

FatoriO ponto de partida. Um atributo objetivo e verificável do caso — não uma impressão. É um fato que se checa na documentação e testando.Ex.: "existe módulo idempotente para a tarefa?"
atributo objetivo do caso
Nota 1–5iO fator vira um número numa régua única. A mesma régua vale para rede, storage ou virtualização — por isso um "3" custa o mesmo "3" em qualquer domínio.1 = trivial · 5 = muito complexo/arriscado
régua única para todos os domínios
ÂncoraiCada nível 1–5 tem um caso real de referência e regras de salto — para a nota não ser subjetiva.Ex.: irreversível sem --check confiável ≥ 4.
caso real de referência + regras de salto
Fonte / RACIiCada nota tem um responsável definido pela competência: fato técnico é do especialista/arquiteto; nota de negócio é do cliente. Ninguém opina fora da sua área.
quem respondeu, pela competência

Os índices se calculam sozinhos a partir das notas (Passo 5 — gate: nada à mão):

ICO = MAX(Cx, Risco)iRisco de operar o caso. Usa o MAIOR entre Complexidade e Risco — basta um dos dois ser alto para o caso ser perigoso.

Risco de operar

o quão perigoso é rodar o caso.

Quadrante = Valor × CxiEstratégia. Cruza valor e complexidade: alto valor + baixa complexidade = quick win; alto valor + alta = estratégico; e assim por diante.

Estratégia

quick win · estratégico · eficiência · reavaliar.

Bolha = (V×Vol×Crit) ÷ CxiOportunidade relativa. Recompensa (valor × volume × criticidade) dividida pelo esforço (complexidade). Bolha grande = mais retorno pelo esforço.

Oportunidade

o retorno relativo do caso.

05 · O nome

O que o slogan promete

"Faro" não é só sigla. Um faro rastreia, segue a pista e separa o que vale do que não vale — exatamente os três momentos:

Inventariar = farejar / rastreardescobrir candidatos e catalogar a pista (Passos 1–2)
Avaliar = seguir a pista com critériomedir cada caso por números de fonte confiável, não por instinto (Passos 3–5)
Orquestrar = decidir o que valepriorizar, validar com o dono do negócio e entregar o que compensa (Passos 6–9)
06 · A tese técnica

Complexidade é propriedade técnica do Ansible — não do domínio

O esforço e o risco de automatizar não derivam de o que a tarefa faz (rede, storage, virtualização), mas de como o Ansible a executa. Essas propriedades são as mesmas em qualquer domínio — por isso a mesma régua vale para todos.

Idempotência

Um módulo idempotente "sai sem executar ações" quando o estado desejado já existe. Com módulo idempotente = baixa complexidade em qualquer domínio; sem garantia = alta. docs.ansible.com · playbooks_intro

Check mode (--check / dry-run)

Roda sem alterar e reporta o que mudaria — mas módulos sem suporte "não reportam e não fazem nada", tornando o dry-run enganoso. Testabilidade é propriedade técnica. docs.ansible.com · check mode

Resource modules

Padronizam a gerência por estado (merged/replaced/overridden/…) e retornam before/after/commands, permitindo asseverar not changed. O padrão de complexidade acompanha o módulo, não o domínio. docs.ansible.com · resource modules

Comando cru (command/shell) = sinal de maior complexidade/risco

Só tem check mode parcial e a doc recomenda o módulo específico. Recorrer a comando cru é abrir mão de idempotência nativa e dry-run confiável — em qualquer domínio. docs.ansible.com · command

Os 8 fatores objetivos (Passo 4)

Cada fator mede complexidade/risco por uma propriedade técnica verificável — não por opinião. Régua faro-1.0, 8 fatores (q1..q8).

#FatorPor que mede (âncora técnica)
1Nº de sistemas/plataformascada alvo a mais multiplica pontos de falha e estado a convergir
2Módulo pronto (certified) vs. comando crumódulo sai sem ação se já no estado; comando cru não garante isso
3Ordem / estadodependência de ordem/estado é risco documentado (ex.: overridden pode remover seu acesso)
4Reversibilidade da operaçãooperação irreversível eleva o Risco por si só (a própria escala de q4 vai a 5)
5Nº de exceções por modelo/versãocada exceção quebra a experiência consistente do resource module
6Interface API / CLI / UIAPI tende a módulo idempotente; CLI empurra para comando cru; UI é frágil
7Dry-run (--check) confiávelcheck mode enganoso (módulo sem suporte não reporta) → Risco +1
8Lógica / decisão condicionalcheck mode não prevê conditionals sobre variáveis registradas

Reversibilidade (4) e --check (7) são fatores separados. A idempotência comprovável (not changed na 2ª execução) é a âncora de verificação do método — não um fator pontuado. Credenciais / pré-requisitos são campo do as-is, não fator. Fontes: documentação oficial Ansible; motor faro-1.0.

07 · Frameworks

Qual parte de cada framework usamos — e como

Cada peça entra no passo onde tem autoridade. Não usamos o framework inteiro — usamos a parte específica que resolve aquele ponto. verificado = confirmado por acesso; n/c = domínio oficial, mas bloqueado a robô (403).

FrameworkQual parte usamosComo usamos no FAROFonte
PMI / PMBOKa Matriz de Responsabilidades (RAM/RACI)define, por nota, o único responsável — Passo 3pmi.org 403
TOGAF ADMa descoberta estruturada por domínios de arquiteturaorganiza o levantamento de casos por domínio — Passo 2opengroup.org ok
ITIL 4a prática de Change Enablementrege mudança em produção e governança — Passos 1 e 9axelos.com n/c
Scrum / SAFea cadência em intervalos (Planning Interval)entrega em ondas priorizadas — Passo 6 (não a cerimônia completa)scaledagile.com ok
Wideband Delphia calibração de estimativa por consensoalinha as notas 1–5 entre especialistas, reduzindo viés — Passo 4ref. ok
IFPUG / COSMICo conceito de medir tamanho indep. de tecnologia (proxy)inspira a régua de complexidade cross-domínio — Passo 4 (não contagem certificada)cosmic-sizing.org ok
DORAas 4 métricas de entregamedem o desempenho da entrega das automações — Passo 9dora.dev ok
ADRo registro de decisão (contexto + trade-offs)toda decisão relevante vira um ADR — Passo 9adr.github.io ok
Modelo C4os níveis de diagrama (contexto/contêiner)desenham a arquitetura das soluções — Passo 9c4model.com ok
08 · Red Hat

O que a Red Hat sustenta — e o que não

O FARO ancora peças oficiais Red Hat — cada uma rotulada: (a) produto (normativo) ou (b) serviços/marketing (orientativo). O Automation Savings Planner (valor/ROI) fica em roadmap — não ofertado nesta fase.

PeçaRótuloPassoQual parte / papel
Maturidade — 5 estágios(b)1posiciona a evolução (autoavaliação, não certificação)
Services Journey — fase Discuss(b)2descoberta de casos + envolver especialistas (SMEs)
Automation Savings Planner roadmap(a)valor/ROI — não ofertado nesta fase. Os campos hosts×frequência do as-is alimentam o Volume derivado, não uma projeção financeira.
Automation Hub — certified/validated(a)8ordem de preferência certified→validated→community

Fontes: Maturity e-book · Services Journey brief · Savings Planner AAP 2.5 / AAP 2.4 · Managing content.

Glossário

Termos em linguagem simples

Para quem não é da área técnica — cada termo do método em uma frase do dia a dia.

Caso de uso (UC)uma automação candidata — algo que se quer automatizar (ex.: "fazer backup da configuração dos switches").
Backloga lista de casos ainda sem projeto — a "fila de espera".
Complexidade (1–5)o quanto é difícil/trabalhoso automatizar. 1 = trivial, 5 = muito complexo.
Risco (1–5)o quanto pode dar errado ao executar. Só ler = baixo; apagar algo sem volta = alto.
Valor / Volume / Criticidadeo lado do negócio: quanto compensa e quão crítico é (Valor e Criticidade são do cliente). O Volume — com que frequência acontece — é derivado de hosts×frequência do as-is, não perguntado.
ICO"quão perigoso é operar" — o maior entre Complexidade e Risco (Baixo/Médio/Alto).
Quadrantea estratégia: alto valor + baixa complexidade = "quick win" (fazer já).
Bolha (Oportunidade)o retorno pelo esforço — quanto maior a bolha, mais vale a pena.
RACIquem responde o quê: o técnico responde os fatos técnicos; o cliente, as notas de negócio.
Ondauma etapa de entrega do projeto, com data e objetivo; começa pelos casos mais seguros.
Idempotênciarodar a automação duas vezes dá o mesmo resultado, sem estragar nada — o "padrão-ouro".
Check mode (--check)o "ensaio" da automação: mostra o que mudaria, sem mudar de verdade.
Collection (certified / community)peça pronta do Ansible. "Certified" = com suporte oficial; "community" = sem suporte (exige autorização).
Comando cruquando não há peça pronta e é preciso "mandar o comando na mão" — mais arriscado.
09 · Transparência

Ressalvas honestas

É a honestidade que torna o método defensável. Por isso estas ressalvas ficam à vista, não em rodapé:

O que é FARO, o que é framework de terceiro

  • A régua de complexidade 1–5 é artefato do método FARO. A Red Hat não publica uma régua formal de "complexidade 1–5". Não confundir com a régua de maturidade de 5 estágios (essa sim é Red Hat) — coisas diferentes com o mesmo número "5".
  • IFPUG / COSMIC são usados como proxy conceitual (inspiração para medir tamanho independente de tecnologia) — não é contagem certificada de Function Points.
  • ROI / Automation Savings Planner = roadmap, não entregável ativo nesta fase. E "risk-adjusted" não existe na documentação do Savings Planner — o cálculo lá é custo manual − custo automatizado.
  • As ondas são inspiradas em Scrum/SAFe, mas são adaptação local — não uma cerimônia SAFe formal. Terminologia atual: PMBOK usa RAM; SAFe usa Planning Interval.